
ISSN: 1516-4888
| VOLUME 2 - NÚMERO 1 - JUN./2000 |
BURNOT: UM DESAFIO À SAÚDE DO
TRABALHADOR
Flávia Pietá Paulo da Silva*
A
palavra trabalho vem do latim “tripalium”, referindo-se a um instrumento de
tortura para punições dos indivíduos que, ao perderem o direito à liberdade,
eram submetidos ao trabalho forçado. Do ponto de vista religioso, o homem foi
condenado ao trabalho porque Eva e Adão constituíram o pecado. Em Gênesis, o
trabalho é considerado o castigo no qual o homem terá que trabalhar, e com o
suor, conseguir o seu alimento para a sobrevivência.
Essa concepção
é religiosa e cultural-familiar. À concepção religiosa associam-se valores
da cultura familiar e a influência de pessoas significativas, estruturando um
sentido pessoal e único que se situa entre a obrigação e o prazer de
trabalhar. O trabalho pode colocar-se como castigo. Existe, no entanto, uma
conotação de sofrimento, culpa e castigo que, em contrapartida, percebe-se o
homem moderno encontrando dificuldade em dar sentido à vida se não for pelo
trabalho. Nesse sentido, trabalho significa necessidade e razão de vida.
Assim, as novas
teorias vêm sugerindo que o conceito de trabalho seja reconcebido com experiência
de convivência sadia, respeito, compromisso e que contribua na qualidade de
vida.
O
trabalho forma a identidade do indivíduo, a profissão do indivíduo
caracteriza o seu ser, o indivíduo é a sua profissão. Jacques (1996) afirma
que os diferentes espaços de trabalhos oferecidos constituem-se em
oportunidades diferenciadas para a aquisição de atributos qualificativos da
identidade de trabalhador.
Do ponto de vista psicológico, o trabalho provoca
diferentes graus de motivação e satisfação, principalmente, quanto à forma
e ao meio no qual se desempenha a tarefa (Kanaane, 1994).
À
medida que o indivíduo está inserido no contexto organizacional, está sujeito
a diferentes variáveis que afetam diretamente o seu trabalho. Atualmente,
existe uma preocupação na saúde do indivíduo neste contexto, pois se
relaciona, principalmente, com a produtividade da empresa.
Ou
seja, para que se atinja produtividade e qualidade, é preciso ter indivíduos
saudáveis e atribuídos de qualidade. Em contrapartida, a organização atua de
forma onde muitas vezes pressiona-se o indivíduo, levando-o a estados de doenças,
de insatisfação e desmotivação. Dentre estes, encontra-se a fadiga, distúrbios
do sono, alcoolismo, estresse e a síndrome de Burnout.
De fato, em função
de sua forma de ser, os indivíduos podem vivenciar suas próprias experiências
de trabalho. As diferenças individuais são um componente importante, que atuam
de uma forma ou de outra no trabalho. Em uma perspectiva interacionista que
considere um ajuste dinâmico entre pessoa, local de trabalho e organização,
pode-se perceber que o ajuste nem sempre é adequado, e quando assim está, o
indivíduo tende a perceber que não dispõe de recursos suficientes para
ajustar-se, surgindo assim o estado de estresse. Estas experiências são
geralmente, negativas e podem ter conseqüências graves e, muitas vezes,
irreparáveis tanto para a saúde e bem estar físico quanto psicológico e
social.
Percebe-se
ainda, que o número de doenças diretamente relacionadas com o estresse está
aumentando, e, concomitantemente, a preocupação sob formas de prevenção e
cura. O estresse e seus estados crônicos afetam diretamente a execução de
tarefas e desenvolvimento do trabalho.
E mesmo o
trabalho que motiva e gratifica, nos lembra Kanaane (1994), quando realizado com
afinco, exige esforço, capacidade de concentração, de raciocínio, implica
desgaste físico e/ou mental, atuando na qualidade de vida.
Muitos autores
afirmam que o relacionamento com outras pessoas no âmbito de trabalho é uma
fonte de estresse. E neste sentido, aparece em meados da década de 70 o termo
Burnout, que no sentido literal significa “estar esgotado” ou
“queimado”, e que é característico de profissões de ajuda, serviços
humanos ou como Vidal (1993) afirma: “aquellas profisiones que consisten
principalmente en ofrecer servicios humanos directos y de gran relevancia para
el usuario”.
Cabe salientar
que o Burnout é formado por diversos estados sucessivos que ocorrem em um tempo
e representam uma forma de adaptação às fontes de estresse. Assim, Burnout e
estresse são fenômenos que expressam sua relevância na saúde do indivíduo e
da organização.
Portanto, ao
considerar qualidade de vida no trabalho, de forma a englobar aspectos de
bem-estar e saúde biopsicossocial, deve-se tomar medidas de prevenção e
tratamento para que esses estados não afetem a organização de maneira a
impedir a produtividade e o desenvolvimento, nem mesmo ao indivíduo na sua saúde
e qualidade de vida.
Acrescentando
que, ao se tomar medidas, sejam de prevenção ou tratamento, é preciso
conhecer os conceitos de tais estados na sua essência, para que não ocorram
distorções como comumente acontece, referindo-se ao Burnout como um sinônimo
de estresse, quando na verdade é uma resposta de um estresse crônico. É, no
entanto, relevante associar esse termos relacionando-os com a prática dentro do
contexto organizacional.
I – A saúde mental do
trabalhador
Para Codo, Sampaio e Hitomi
(1993), a organização do trabalho exerce, sobre o homem, uma ação específica,
cujo impacto é o aparelho psíquico. Em certas condições, emerge um
sofrimento que pode ser atribuído ao choque entre uma história individual,
portadora de projetos, de esperanças e de desejos, e uma organização do
trabalho que os ignora. Esse sofrimento, de natureza mental, começa quando o
homem, no trabalho, já não pode fazer nenhuma modificação na sua tarefa no
sentido de torná-la mais conforme às suas necessidades fisiológicas e a seus
desejos psicológicos, isto é, quando a relação homem-trabalho é bloqueada.
Saúde e doença não são fenômenos
isolados que possam ser definidos em si mesmos, pois estão profundamente
vinculados ao contexto sócio-econômico-cultural, tanto em suas produções
como na percepção do saber que investiga e propõe soluções. Todas as concepções
de doença pressupõem uma norma
objetiva que permita determinar um modelo referencial. Isto fica
superlativamente evidente quando a questão é doença mental. Machado
et. al. (1978)
afirmam que para medir o que é ou não é razoável em uma conduta será
preciso compará-la com ela mesma e com outros comportamentos comumente aceitos
em cada sociedade e em dado momento histórico. Esse critério comparativo, ao
mesmo tempo em que possibilita estabelecer a norma a partir da observação do
desvio, e promovê-la autoritariamente na prática, permite articular história
individual e história da sociedade, entendendo-as como mudança progressiva e
interdependente.
Segundo Codo, Sampaio e Hitomi
(1995), do choque entre um indivíduo, dotado de uma história personalizada e a
organização do trabalho, portadora de uma injunção despersonalizante,
emergem uma vivência e um sofrimento que determinarão a saúde na organização
e seu funcionamento.
E o sofrimento do indivíduo
traz conseqüências sobre o seu estado de saúde e igualmente sobre o seu
desempenho, pois existem alterações e/ou disfunções pessoais e
organizacionais. Esse sofrimento advém de sentimentos gerados por diversos
aspectos e que atingem a organização em todo o seu contexto. Os sentimentos
como geradores de disfunções são inúmeros e, entre eles estão:
·
sentimento
de indignidade: experimentado como a vergonha de ser robotizado, de não ser
mais que um apêndice da máquina, às vezes de ser sujo, de não ter mais
imaginação ou inteligência, etc;
· sentimento de inutilidade: percebido pela falta de qualificação e de finalidade de trabalho, já que muitas vezes não conhecem a própria significação de seu trabalho em relação ao conjunto da atividade da organização;
·
sentimento
de desqualificação: cujo sentido repercute não só para si com para o
ambiente de trabalho.
A
vivência depressiva condensa de alguma maneira os sentimentos de indignidade,
de inutilidade e de desqualificação, ampliando-os. Esta depressão é dominada
pelo cansaço. Cansaço que se origina não só dos esforços musculares, mas
também dos psicosensoriais. Associados ao cansaço por serem também
importantes estão:
·
fadiga -
resultante da sobrecarga de trabalho;
·
insatisfação
- resultante do confronto com a esfera das aspirações, motivações ou
desejos;
·
satisfação
- a satisfação do trabalho ocupa uma posição fundamental na problemática da
relação saúde-trabalho. Muitas vezes, negligenciada ou desconhecida, está na
origem não só de numerosos sofrimentos somáticos de determinismo físico
direto, mas também de outras doenças do corpo mediatizadas por algo que atinge
o aparelho mental;
·
frustração
- resultante de um significante conteúdo inadequado às potencialidades e às
necessidades do indivíduo;
·
angústia
- resultante de um conflito intra-psíquico, isto é, de uma contradição entre
dois impulsos inconciliáveis (duas pulsões, dois desejos...);
·
medo -
está presente em todos os tipos de ocupações profissionais, principalmente,
aquelas que estão expostas a riscos relacionados à integridade física. Uma
prova a mais da existência e da intensidade do medo é fornecida pelos
problemas de sono e, sobretudo, pelo consumo de medicamentos psicotrópicos;
·
ansiedade,
tensão nervosa e carga psicosensorial – relacionadas ao medo,
geralmente decorrentes da vigilância, da concentração e memorização,
contribuindo para o sofrimento sentido;
·
ansiedade
- em uma organização é facilmente identificada em relação ao desempenho de
cada indivíduo, principalmente relativa à produtividade, ritmo, cotas de produção,
rendimento, aos prêmios e bonificações;
·
agressividade,
hostilidade e perversidade - geradas pelas relações do trabalho, isto é: com
a hierarquia, chefia, supervisão, outros trabalhadores;
·
alcoolismo;
·uso de drogas.
Nos últimos 15
anos, o estresse tem sido objeto de estudo de muitos pesquisadores, uma vez que
evidencia-se sua relação com a saúde. (Santed-B, Sandín-P,
Chorot, 1996).
Augusto e
Martinez (1998) acrescentam que as três principais causas da mortalidade são o
câncer, doenças cardíacas e cerebrovasculares, e que o estresse aparece como
fator relevante de risco. O que justifica o progressivo interesse na sua prevenção
e controle, bem como no tratamento (Lazárus e Folkman, 1984; Labrador, 1992;
Buceta e Bueno, 1995).
O termo estresse
vem da física, e neste campo do conhecimento tem o sentido de grau de
deformidade que uma estrutura sofre quando é submetida a um esforço (França e
Rodrigues, 1997).
Foi Hans Selye em
1926 que utilizou este termo pela primeira vez, e que denominou de estresse um
conjunto de reações que um organismo desenvolve ao ser submetido a uma situação
que exige um esforço para a ela se adaptar.
Fisiologicamente,
o estresse é o resultado de uma reação que o organismo tem quando estimulado
por fatores externos desfavoráveis. A primeira reação do organismo, nestas
circunstâncias, é uma descarga de adrenalina, sendo que os órgãos que mais
sentem são os aparelhos circulatório e o respiratório.
No aparelho
circulatório, a adrenalina promove a aceleração dos batimentos cardíacos,
taquicardia, e uma diminuição do tamanho dos vasos sangüíneos periféricos.
Neste sentido, o sangue circula mais rapidamente para uma melhor oxigenação,
principalmente, dos músculos e do cérebro, já que ficou pouco sangue na
periferia, o que também diminui sangramentos em caso de ferimentos
superficiais.
No aparelho
respiratório, a adrenalina promove a dilatação dos brônquios,
broncodilatação, e induz o aumento dos movimentos respiratórios,
taquipnéia, para que haja maior captação de oxigênio, que vai ser mais
rapidamente transportado pelo sistema circulatório, também devidamente
preparado pela adrenalina.
Quando o perigo
passa, o organismo pára com a super produção de adrenalina e tudo volta ao
normal. No mundo de hoje, percebe-se que as situações não são tão simples
assim, e o perigo e a agressão estão sempre à volta. É diante disso que a
reação do organismo frente ao estresse é de taquicardia, palidez, sudorese e
respiração ofegante. Pode haver também um descontrole da pressão arterial,
provocando um aumento da pressão à níveis bem altos, mas não significa que a
pessoa seja hipertensa.
Em uma visão
biopsicossocial, França e Rodrigues (1997) afirmam que o estresse constitui-se
de uma relação particular entre pessoa, seu ambiente e as circunstâncias as
quais está submetida, que é avaliada como uma ameaça ou algo que exige dela
mais que suas próprias habilidades ou recursos e que põe em perigo o seu bem
estar. Cabe salientar, no entanto, que o estresse por si só não é suficiente
para desencadear uma enfermidade orgânica ou para provocar uma disfunção
significativa na vida da pessoa. Para que isso ocorra é necessário que outras
condições sejam satisfeitas, tais como a vulnerabilidade orgânica ou uma
forma inadequada de avaliar e
enfrentar a situação estressante.
Ao se tratar de
estresse ocupacional, estes mesmos autores, consideram-no como aquelas situações
em que o indivíduo percebe seu ambiente de trabalho como ameaçador, quando
suas necessidades de realização pessoal e profissional, e/ou sua saúde física
ou mental, prejudicam a interação desta com o trabalho e este ambiente tenha
demandas excessivas a ela, ou que ela não contenha recursos adequados para
enfrentar tais situações.
O estresse
ocupacional é decorrente das tensões associadas ao trabalho e à vida
profissional. Os agentes estressantes ligados ao trabalho têm origens diversas:
condições externas (economia política) e exigências culturais (cobrança
social e familiar). No entanto, Silva e Marchi (1997) salientam que a mais
importante fonte de tensão é a
condição interior.
Peiró (1986),
explicita como estressores do ambiente físico: ruído, iluminação,
temperatura, higiene, intoxicação, clima, e disposição do espaço físico
para o trabalho (ergonomia); e como principais demandas estressantes: trabalho
por turnos, trabalho noturno, sobrecarga de trabalho, exposição a riscos e
perigos.
Assim, o
trabalho, além de possibilitar crescimento, transformações, reconhecimento e
independência pessoal e profissional também causa problemas de insatisfação,
desinteresse, apatia e irritação. Dejours (1994) afirmava que não existe
trabalho sem sofrimento.
Sato (1992), faz
uma crítica à visão de saúde da Medicina do Trabalho e Engenharia de Segurança,
afirmando que é uma visão hegemônica, que reduz o conceito de saúde à ausência
de doenças e de acidentes de trabalho, ou seja, as demais formas de prejuízo
à saúde não são objetos da atuação dessa área, há uma rejeição dos
conceitos de saúde, tais como o social e psicológico.
Os valores de saúde
e doença são construídos, na empresa, sob o foco da produtividade, sob os
princípios que se adota de responsabilidade social e o valor que se dá à
preservação das pessoas, das histórias de acidentes de trabalho e da própria
cultura da organização. A pressão organizacional leva o indivíduo a estados
de stress, o que afeta diretamente a Qualidade de Vida do Trabalho.
Nem sempre o estresse é prejudicial, no entanto, o estresse prolongado é uma das causas do esgotamento, que pode levar ao Burnout (França e Rodrigues 1997). Ou seja, o estresse pode ou não levar a um desgaste geral do organismo dependendo da sua intensidade, duração, vulnerabilidade do indivíduo e habilidade em administrá-lo (Lipp e Malagris, 1995).
Para Codo,
Sampaio e Hitomi (1993), saúde e doença não são fenômenos isolados que
possam ser definidos em si mesmos, mas estão vinculados ao contexto sócio-econômico-cultural,
tanto em suas produções como na percepção do saber que investiga e propõe
soluções.
Neste sentido
Silva e Marchi (1997), afirmam que o estresse é um estado intermediário entre
saúde e doença, um estado durante o qual o corpo luta contra o agente causador
da doença. Quando se confronta com um agressor (estressor) o corpo reage. Essa
reação tem três estágios: alarme, resistência e exaustão.
A fase de Alarme
consiste em uma fase muito rápida de orientação e identificação do perigo,
preparando o corpo para a reação propriamente dita, ou seja, a fase de resistência.
Lipp (1990) acrescenta que às vezes as sensações não se identificam como de
estresse, é por isso que muitos não se dão conta de que estão neste estado.
A fase de Resistência é uma fase que pode durar anos. É a maneira pela qual o corpo se adapta à nova situação. É parte do estresse total do indivíduo e se processa de dois modos básicos: sintóxico (tolerância e aceitação) e catotóxica (contra, não aceitação). Para Lipp (1990), isto ocorre quando a pessoa tenta se adaptar à nova situação, restabelecendo o equilíbrio interno.
A fase de Exaustão
consiste em uma extinção da resistência, seja pelo desaparecimento do
estressor, o agressor, seja pelo
cansaço dos mecanismos de resistência. Então, é neste caso que o resultado
será o da doença ou mesmo um colapso.
As desordens
psicológicas no trabalho constituem uma das dez freqüentes categorias de
“doença” ocupacional. Diversos trabalhos têm evidenciado uma diversidade
de variáveis organizacionais, que contribuem para situações provocadoras de
reações psicológicas e psicossomáticas.
O estresse apresenta um alto custo para as empresas pois refletem diretamente na produtividade através de faltas, horas de trabalho perdidas, desperdício de material de trabalho e custos elevados em assistência médica e, além disso, pode prejudicar a imagem da empresa.
Assim, o
interesse atual pelos efeitos e conseqüências do estresse nos contextos de
trabalho responde a várias razões, mas principalmente aos custos econômicos
derivados, tanto para os indivíduos como para as organizações (García
Izquierdo, 1993).
A relação do homem com a organização do trabalho é origem da carga psíquica do trabalho. Quando o rearranjo da organização do trabalho não é mais possível, quando a relação do trabalhador com a organização é bloqueada, o sofrimento começa (Dejours, 1994).
O conceito de
Burnout surgiu nos Estados Unidos em meados dos anos 70, para dar explicação
ao processo de deterioração nos cuidados e atenção profissional nos
trabalhadores de organizações. Ao longo dos anos esta síndrome de
“queimar-se” tem se estabelecido como uma resposta ao estresse laboral crônico
integrado, por atitudes e sentimentos negativos.
Não existe uma
definição unânime sobre esta síndrome, existe um consenso em considerar que
aparece no indivíduo como uma resposta ao estresse laboral. Trata-se de uma
experiência subjetiva interna que agrupa sentimentos e atitudes e que tem um
semblante negativo para o indivíduo, dado que implica alterações, problemas e
disfunções psicofisiológicas com conseqüências nocivas para a pessoa e para
a organização.
Freudenberger
(1974), afirma que o Burnout é resultado de esgotamento, decepção e perda de
interesse pela atividade de trabalho que surge nas profissões que trabalham em
contato direto com pessoas em prestação de serviço como conseqüência desse
contato diário no seu trabalho. Amorim et. al. (1998)
acrescentam ainda, que alguns pesquisadores realizaram propostas de delimitação
conceitual e assim estabeleceram procedimentos e critérios para o diagnóstico
diferencial. Pines; Aronson e Kafry (1981), correlacionam a fadiga emocional, física
e mental, sentimentos de impotência e inutilidade, falta de entusiasmo pelo
trabalho, pela vida em geral e baixa auto-estima a estados que combinam esta síndrome.
Na definição de Maslach e Jackson (1981), encontramos o esgotamento nervoso e
despersonalização, onde o primeiro pode ser entendido pela situação que os
trabalhadores sentem quando já não podem dar mais de si mesmo afetivamente, é
uma situação de esgotamento da energia dos recursos emocionais próprios, uma
experiência de estar emocionalmente esgotado, devido ao contato diário mantido
com pessoas que hão de atender como objeto de trabalho. A despersonalização
pode ser definida como o
desenvolvimento de sentimentos e atitudes negativos e cinismo para as pessoas
destinatárias do trabalho. Estas pessoas são vistas por profissionais de forma
desumanizada, rotuladas negativamente, devido a um endurecimento afetivo e os
profissionais ainda os responsabilizam de seus
problemas. Maslach e Jackson (1981) afirmavam que Burnout estava estritamente
ligado a profissionais de saúde, que perdiam então, o interesse, empatia e o
próprio respeito por seus pacientes.
A falta de
realização pessoal no trabalho constitui-se como a tendência desses
profissionais a avaliar-se negativamente e, de forma especial, essa avaliação
negativa afeta a habilidade na realização do trabalho e a relação com as
pessoas que atendem. Os trabalhadores sentem-se descontentes consigo mesmos e
insatisfeitos com seus resultados no trabalho.
Amorim e Turbay
(1998), afirmam que a síndrome de Burnout é uma experiência subjetiva, que
agrupa sentimentos e atitudes implicando alterações, problemas e disfunções
psicofisiológicas com conseqüências nocivas para a pessoa e a organização,
sendo que esta afeta diretamente a qualidade de vida do indivíduo. Por isso, é
necessário um estudo também filosófico onde se explicita a natureza humana e,
principalmente, as dinâmicas interpessoais que possam interferir no desempenho
e produtividade no trabalho.
Em um nível
organizacional, algumas profissões se caracterizam por desenvolver um trabalho
em organizações que respondam ao esquema de uma burocracia profissionalizada.
Segundo Mintzberg (1988), este tipo de organização conta para sua coordenação
uma padronização das habilidades de seus membros. Contrata profissionais
preparados e treinados para a realização das tarefas e lhes concede um
controle considerável sobre seu próprio trabalho. Além disso, estes
profissionais trabalham com certa independência com respeito aos seus colegas e
estreitamente vinculados a seus clientes.
Golembiewski e
Doly (apud González, 1995), acrescentam que desde a Teoria das Organizações,
Burnout é entendido como conseqüência de um desajuste entre as necessidades
do trabalhador e dos interesses da empresa.
Gil-Monte e Peiró
(1996), afirmam que este tipo de organização tem embasado seu funcionamento na
padronização de comportamentos e procedimento logrados mediante a
profissionalização ou socialização dos membros. Um dos processos chave de
funcionamento é o processo de diagnóstico de classificação da situação que
permite determinar o conjunto de habilidades relevantes e das técnicas
atualizadas para resolver o problema do usuário. Também apresentam estruturas
muito descentralizadas, tanto horizontal como verticalmente, e um boa parte do
poder permanece nos profissionais, que são os que devem resolver os problemas
concretos das pessoas que atendem. Isto faz com que possam controlar uma grande
parte das decisões relacionadas com seu próprio trabalho.
Para Mintzberg
(1988), as burocracias profissionalizadas requerem uma série de condições no
ambiente e no clima organizacional para ser funcional. Assim, o ambiente em que
esta imersa a organização deve ser estável, para permitir que as habilidades
e procedimentos possam ser padronizados.
Por outro lado,
os conhecimentos nos quais se baseia a organização, são complexos, a organização
perde seu caráter de burocracia profissionalizada, determinado por um serviço
de atenção personalizada ao usuário. Com respeito ao poder e a hierarquia,
estas organizações requerem uma distribuição democrática do poder, de forma
que o próprio profissional exerça o controle sobre seu trabalho e as decisões
que o afetam.
Uma variável
importante neste nível é a socialização laboral, Peiró (1986), sugere que
esta é o processo por meio do qual o novo membro aprende a escala de valores,
as normas e as pautas de conduta exigida pela organização a que se
incorpora”. Em diferentes trabalhos se tem indicado que a síndrome de Burnout
se contagia entre os profissionais, através de mecanismos de modelo e
aprendizagem por observação durante os processos de socialização laboral.
No plano das relações
interpessoais, quando estas são tensas, conflitivas e prolongadas, tem-se a
tendência de aumentar os sentimento de Burnout. Assim, mesmo a falta de apoio
no trabalho por parte dos companheiros e supervisores, da direção, ou da
administração da organização, a excessiva identificação do profissional
com o usuário, e os conflitos interpessoais com as pessoas que se atende ou
seus familiares, são fenômenos característicos destas profissões que
aumentam também os sentimentos de “queimar-se”.
Quanto ao indivíduo,
as características de personalidade serão uma decisão a considerar em relação
à intensidade e freqüência de sentimentos de altruísmo e idealismo
acentuados pela forma em que uma parte importante destes profissionais aborda
sua profissão poderiam facilitar o processo de “queimar-se” (Edelwich e
Brodsky, 1980). Esse idealismo e sentimentos altruístas levam os profissionais
a implicar-se excessivamente nos problemas dos usuários e convertem em uma direção
pessoal para solução dos problemas. O próprio indivíduo tolera que se sinta
culpado das falhas, tanto próprias como alheias, o qual resultará em baixos
sentimentos de realização pessoal no trabalho.
Como se pode
perceber, em uma perspectiva psicossocial, Burnout tem-se definido como uma síndrome
cujos sintomas são sentimentos de esgotamento emocional, despersonalização e
baixa realização pessoal no trabalho. Estes sintomas podem desenvolver-se
naqueles sujeitos cujo objeto de trabalho são pessoas em qualquer tipo de
atividade. No entanto, deve ser entendida como uma resposta ao estresse laboral
que aparece quando falham as estratégias funcionais de enfrentamento que o
sujeito pode empregar e se comporta como variável mediadora entre o estresse
percebido e suas conseqüências. Esse enfrentamento
é definido por França e Rodrigues (1997), como sendo o “ conjunto de
esforços que uma pessoa desenvolve para manejar ou lidar com as solicitações
externas ou internas, que são avaliadas por ela como excessivas ou acima de
suas possibilidades”. Assim, esta síndrome é considerada um passo intermediário
na relação estresse-conseqüências do estresse de forma que, se permanece
durante um longo tempo, o estresse laboral terá conseqüências nocivas para o
indivíduo, sob a forma de enfermidade, falta de saúde com alterações
psicossomáticas (alterações cardiorespiratórias, gastrite e úlcera,
dificuldade para dormir, náuseas) e para organização (deterioração do
rendimento ou da qualidade de trabalho).
Delvaux, citado por França e
Rodrigues (1997), caracteriza o Burnout emocional da seguinte forma:
·
Exaustão
emocional - ocorre quando a pessoa percebe nela mesmo a impressão de que não
dispõe de recursos suficientes para dar aos outros. Surgem sintomas de cansaço,
irritabilidade, propensão a acidentes, sinais de depressão, sinais de
ansiedade, uso abusivo de álcool, cigarros ou outras drogas, surgimento de doenças,
principalmente daquelas denominadas de adaptação ou psicossomáticas.
·
Despersonalização
- corresponde ao desenvolvimento por parte do profissional de atitudes negativas
e insensíveis em relação às pessoas com as quais trabalha tratando-as como
objetos.
·
Diminuição
da realização e produtividade profissional -
geralmente conduz a uma avaliação negativa e baixa de si mesmo.
·
Depressão
- sensação de ausência de prazer de viver, de tristeza que afeta os
pensamentos, sentimentos e o comportamento social. Estas podem ser breves,
moderadas ou até graves.
O modelo
conceitual para Garcia Montalvo e Garcés De Los Fayos (1996) resume o aparecimento de Burnout nas três dimensões:
esgotamento emocional, despersonalização e baixa auto-estima.
Para Lautert
(1997), a instalação da Síndrome de Burnout ocorre de maneira lenta e
gradual, acometendo o indivíduo progressivamente. Alvarez Galego e Fernandez
Rios (1991), distinguem três momentos para a manifestação da síndrome. Num
primeiro momento, as demandas de trabalho são maiores que os recursos
materiais e humanos, o que gera um estresse laboral no indivíduo. Neste
momento, o que é característico é a percepção de uma sobrecarga de
trabalho, tanto qualitativa quanto quantitativa. No segundo momento,
evidencia-se um esforço do indivíduo em adaptar-se e produzir uma resposta
emocional ao desajuste percebido. Aparecem então, sinais de fadiga, tensão,
irritabilidade e até mesmo, ansiedade. Assim, essa etapa, exige uma adaptação
psicológica do sujeito, a qual reflete no seu trabalho, reduzindo o seu
interesse e a responsabilidade pela sua função. E, finalmente, num terceiro
momento, ocorre o enfrentamento defensivo, ou seja, o sujeito produz uma troca
de atitudes e condutas com a finalidade de defender-se das tensões
experimentadas, ocasionado comportamentos de distanciamento emocional, retirada,
cinismo e rigidez.
No entanto, é
preciso considerar a síndrome como processo, esses momentos não se estabelecem
de forma clara e distinta entre uma etapa ou outra, ou de um momento ao outro.
Até mesmo Delgado et al. (1993) citam alguns autores, como Belcastro, Gold e
Hays (1983), para os quais não é possível determinar, com exatidão, nem a
seqüência, nem os correlatos das diferentes fases implicadas no
desenvolvimento desta síndrome.
Enquanto
Gil-Monte (1993) considera que, no primeiro momento, o indivíduo percebe a evidência
de uma tensão, o stress. No segundo momento, aparecem sintomas de fadiga e
esgotamento emocional, concomitantemente a um aumento do nível de ansiedade e,
finalmente, o indivíduo desenvolve estratégias de defesa, que utiliza de
maneira constante. Essas estratégias consistem em mudanças de atitudes e
comportamentos que incluem indiferença e distanciamento emocional do trabalho.
Em se tratando de
formas de prevenção de Burnout, França e Rodrigues (1997) acrescentam: a)
aumentar a variedade de rotinas, para evitar a monotonia; b) prevenir o excesso
de horas extras; c) dar melhor
suporte social às pessoas; d) melhorar as condições sociais e físicas de
trabalho; e e) investir no aperfeiçoamento profissional e pessoal dos
trabalhadores.
Já Phillips
(1984) diz que a primeira medida para evitar a síndrome de Burnout é conhecer
suas manifestações. Existem, porém, outras formas de prevenção e que podem
ser agrupadas em três categorias: estratégias individuais, estratégias
grupais e estratégicas organizacionais.
As estratégias
individuais referem-se à formação e capacitação profissional, ou seja,
tornar-se sempre competente no trabalho, estabelecer parâmetros, objetivos,
participar de programas de combate ao stress, entre outros. As estratégias
grupais consistem em buscar o apoio grupal
(Shinn e Morch, 1983) e finalmente as estratégias organizacionais
referem-se em relacionar as estratégias individuais e grupais para que estas
sejam eficazes no contexto organizacional.
Aguayo (1997), ao
tratar da síndrome de Burnout em professores, relaciona
seu aparecimento a uma pressão intensa e constante no trabalho, e
acrescenta como medidas de prevenção, um programa preventivo baseado em grupos
de apoios entre profissionais para se discutir temas relacionados, como também
recomendações tais como exercícios físicos, dietas, manejo de estresse e
promoção da saúde (Lowenstein, 1991).
A partir de um
estudo dos principais instrumentos de medida, Garcés De Los Fayos, López-Soler
e Garcia Montalvo (1994), concluíram:
·
a evolução
da síndrome ocupa um dos lugares mais importantes dentro de trabalhos onde se
relacionam com outras pessoas;
·
há dez
anos o Inventário de Burnout de Maslach e Jakson destaca-se como instrumento
mais eficaz;
· o esgotamento emocional é a dimensão mais consistente e melhor definida dentro dos quadros observados; e
·
na
Espanha, os trabalhos de García Izquierdo a respeito da escala de “Efectos Psíquicos
del Burnout”, estão obtendo resultados satisfatórios, assim como as
contribuições de Moreno e cols. são relevantes dentro deste contexto.
De fato, existe
outros instrumentos de medidas, e dentre eles, citaremos àqueles abordados por
Garcés De Los Fayos, López-Soler e Garcia Montalvo (1994): Staff
Burnout Scale; Indicadores del Burnout; Emener-Luck Burnout Scale; Tedium
Measureees (Burnout Measure); Maslach Burnour Inventory; Burnout Scale; Teacher
Burnout Scale; Energy Depletion Index; Mattews Burnout Scale for Employess;
Efectos Psiquícos del Burnour; Escala de Variables Predictoras del Burnout;
Cuestionario de Burnout del Professorado; Holland Burnout Assesment Survey; Rome
Burnout Inventory.
No entanto, ao se
utilizar os instrumentos é necessário levar em consideração a cultura da
instituição ou, se possível, realizar uma avaliação psicológica da
Organização para entender os determinantes e funcionamentos, que são referências
importantes para a análise dos resultados obtidos, independente do instrumento
utilizado para coletá-los.
Como ficou expressado, Burnout é um desgaste, tanto físico como mental, em que o indivíduo pode tornar-se exausto, em função de um excessivo esforço que faz para responder às constantes solicitações de energia, força ou recursos, afetando diretamente a qualidade de vida do indivíduo e, conseqüentemente, do trabalho.
IV - Qualidade de
Vida no Trabalho
Lautert (1997a)
afirma que, na atualidade, o problema da satisfação no trabalho e a atenção
personalizada ao paciente converteram-se nos objetivos principais da organização
hospitalar. Acrescento, agora, que essa atenção personalizada aos pacientes não
se restringe apenas às organizações hospitalares, mas sim a todos os tipos de
organização, na qual o cliente, ou o paciente, ou o aluno é que tem a razão
e, assim, é a origem de todas as atenções, buscando ,então, a qualidade de
vida no trabalho que tem sido preocupação do homem, desde o início da sua
existência, com outras nomenclaturas em outros contextos, mas sempre voltada
para promover o bem-estar do trabalhador. Um exemplo disso é quando Arquimedes,
em 887 a.C., com a Lei das Alavancas vem contribuir para diminuir o esforço físico
de muitos trabalhadores. No entanto, foi a partir dos séculos XVII e XIII, com
a sistematização dos métodos de produção, que as condições de trabalho e
influência destas na vida do homem vieram a ser estudados cientificamente (França
e Rodrigues, 1994).
O movimento para
a melhoria da qualidade de vida no ambiente de trabalho já teve momentos de glória
e se dispersou, entre vários motivos, pela dificuldade de definição e
delimitação do conceito. Apesar de ter surgido há mais de quarenta anos,
ainda não há uma definição consensual para Q.V.T. – Qualidade de Vida no
Trabalho, cada autor o conceitua conforme os elementos que julga mais
importantes para que exista efetivamente.
A
Qualidade de Trabalho pode ser considerada como uma forma de se pensar a
respeito de pessoas, trabalho e organização, de modo global e abrangente. A década
de 70 conheceu o conceito de Q.V.T. (Quality of Working Life - Q.W.L.) em franca
ascensão, com o desenvolvimento de tecnologias e abordagens específicas.
Administração participativa, grupos autônomos de trabalho, “job
enlargement”, “job enrichment”, pesquisas motivacionais, de satisfação e
de clima organizacional constituíram um verdadeiro arsenal tecnológico. O
progresso foi a tal ponto que o termo Q.V.T. adquiriu uma abrangência grande
demais, tanto que qualquer iniciativa isolada de alteração no ambiente de
trabalho era chamada de Q.V.T. . Nessa época Q.V.T. significava praticamente
tudo o que era feito na área de recursos humanos, por um raciocínio lógico
muito simples: o que abrange tudo, acaba não abrangendo nada. Infelizmente, um
tema que começou como uma importante variável dependente transformou-se em
movimento e, a partir de um dado momento, descreveu uma trajetória fulminante
para o quase nada.
Os profissionais de recursos humanos teriam aderido a uma série de modismos que, apesar de estarem nucleados em propostas de grande valor social, por falta de seriedade e aprofundamento teórico, conduziram a práticas marcadas pela transitoriedade e o empirismo.
É possível
pensar que existe Qualidade de Vida no Trabalho quando os membros de uma
organização são capazes de satisfazer necessidades pessoais importantes através
de sua vivência na mesma, o que engloba, portanto, a preocupação com o efeito
do trabalho nas pessoas, com a eficácia da organização e com a idéia da
participação dos trabalhadores na solução de problemas e tomada de decisões.
Silva e Marchi
(1997), afirmam que a relação entre saúde e Qualidade de Vida parece óbvia,
o próprio senso comum nos diz que ter saúde é a primeira e essencial condição
para que alguém possa considerar sua vida como de boa qualidade. Mas o que
parece óbvio e claro nem sempre o é, na realidade. Tanto a concepção de saúde,
como a de qualidade de vida comportam discussões e interpretações diversas.
Portanto, qualidade de vida é um conceito amplo e sendo assim, deve englobar aspectos subjetivos (sentimentos, percepção, bem-estar e satisfação) e objetivos (recursos materiais disponíveis, salário e carreira). Especificamente, tratando do contexto da saúde na organização, é possível apresentar alguns indicadores como: satisfação, auto-realização, motivação, desempenho, ou ainda, analisar a ausência da qualidade de vida, como sugere a existência de alguns fenômenos, entre eles, Burnout.
Podemos entender
Burnout como o produto de uma interação negativa entre o local, a equipe de
trabalho e os clientes como afirma Alvarez Gallego e Fernandez Rios (1991).
De fato, a Organização Internacional do Trabalho reconhece que o
estresse e a síndrome de Burnout não são fenômenos isolados, mas ambos foram
convertido em um risco ocupacional significativo (Barona, 1991). Aluja (1997),
confirma através de uma pesquisa a relação existente entre saúde mental,
psicopatologia e Burnout.
Segundo Figueroa;
Veliz-Caquias (1992) as profissões mais afetadas pela síndrome são: polícia,
enfermeiras, professores. Neste grupo ainda se encontram os terapeutas
ocupacionais, psicoterapeutas e outros relacionados à saúde mental.
Fica claro a
importância do bem-estar e a saúde do indivíduo no trabalho, pois é no
trabalho que passa-se a maior parte do tempo. A qualidade de vida está
diretamente relacionada com as necessidades e expectativas humanas e com a
respectiva satisfação desta. Corresponde ao bem-estar do indivíduo, no
ambiente de trabalho, expresso através de relações saudáveis e harmônicas
(Kanaane, 1994)
Atualmente o
estresse não é visto apenas como prejudicial ao trabalhador, mas
principalmente à organização que despendem altos custos em absenteísmo,
acidentes, doenças, conflitos, abandono e desinteresse, verificado em todos os
níveis de trabalho (Moreno-Jimenez e Peñacoba Puente, 1995)
A qualidade de vida no trabalho é uma compreensão abrangente e comprometida das condições de vida no trabalho, que inclui aspectos de bem-estar, garantia da saúde e segurança física, mental e social, e capacitação para realizar tarefas com segurança e bom uso de energia pessoal. Não depende só de uma parte, ou seja, depende simultaneamente do indivíduo e da organização, e é este o desafio que abrange o indivíduo e a organização.
Notas
* - Psicóloga Especialista em Psicologia Organizacional e do Trabalho. Doutoranda em Psicologia pela Universidade Complutense de Madrid. End: Calle Galileo, 66 – 3º C, Izq – 28004 – Madri – Espanha. Email: fpps@hotmail.com
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