Conversa de Bar

Com 66 anos de existência, o Bar Brasil reúne gerações e tem muita história pra contar

Tomás Miranda

Há 18 anos, quando o casal Maria Neide, mais conhecida como Mara, e Lourival Garcia compraram o Bar Brasil, seus freqüentadores eram fazendeiros armados, que davam tiros no meio da rua e usavam os muros do bar como banheiro.

“Se esse bar não fosse tão curva de rio, eu até comprava”. Foi isso que Mara pensou a primeira vez que entrou no Bar Brasil, enquanto esperava o marido resolver alguns negócios no centro. “Eu estava grávida e parei para tomar um refrigerante. Olhei em volta e pensei que até poderia comprar aquele bar, mas seria para transformar”, lembra.

Por coincidência, o dono do bar tinha interesse em vender. A partir daí foram dois anos de trabalho em família, sem lucro algum. Tudo que o casal ganhou nesse período foi aplicado no bar. “O lugar era pequeno, então tivemos que construir aquela parte lateral. Usamos 60 caminhões de terra!”, conta.

Com a instalação de uma televisão 14 polegadas , o bar começou a transmitir jogos de futebol. Mais tarde, Mara importou uma TV de 56 polegadas e depois o telão, que hoje virou mania em diversos bares da cidade. O público e o horário de funcionamento mudaram: os senhores deram lugar a jovens e o Bar Brasil, que antes abria de manhã e fechava no final da tarde, passou a ser tradição na noite londrinense.

Normalmente, o bar funciona até duas da manhã, horário em que a galera, segundo Mara, está “light”. “Eles acham um horror fechar às duas horas. Quando é três horas da manhã, já varreram o pé de metade da galera e apagaram a luz... Mas funciona assim faz muito tempo. E funciona bem! Depois das duas horas as pessoas já estão alteradas”, explica.

O horário preferido de Mara é às oito da noite, quando a velha geração de filhos do Bar Brasil se esbarra com a nova. O momento é de saudosismo: Mara conta que muitas vezes “meninos novos” acabam conhecendo no bar velhos amigos de seus pais.

Com todas as mudanças, uma tradição não mudou: a cerveja sempre gelada! Copos pequenos para quem sabe beber cerveja. “Os meninos das universidades fazem muita festa. Colocam a cerveja no gelo e seja o que deus quiser! Nós ganhamos dinheiro vendendo cerveja e sobrevivemos de um bar. Temos obrigação de manter a cerveja gelada, mas não quer dizer que todos os bares sejam assim”.

Mais típico que a cerveja no Bar Brasil, só o futebol – transmitido sempre, independente do horário. Mas outros esportes já tiveram grande destaque no bar: as corridas de Fórmula 1, na época de Ayrton Senna, e os jogos de tênis, na era de ouro do catarinense Guga. “Sempre valorizamos o esporte, até quando 'o outro' arrancou a orelha do Hollyfield...”, conta Mara.

Caso você queira mais informações sobre o Bar Brasil, não adianta ligar. O bar não tem telefone e, segundo Mara, não terá. Ela odeia! Vá direto ao bar, pegue uma cerveja e relaxe em um dos símbolos da boemia londrinense.

 

Fotos: Tomás Miranda



Mara, dona do Bar Brasil

 
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