Gira catraca, gira mundo!

Londrinense perde boa parte de seu dia no vai-e-vem dos ônibus

Angélica Oiveira

Uma expressiva parcela da população londrinense tem o transporte coletivo integrado à sua rotina. Segundo dados da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanismo (CMTU), o Terminal Urbano da cidade recebe, diariamente, mais de 125 mil passageiros. São milhares de indivíduos que perdem um tempo significativo de suas vidas no vai-e-vem dos ônibus. A reportagem do Idéia Fix On-line acompanhou a rotina de um desses muitos personagens.

Às 5h20 da manhã desperta o relógio para Edivani Andrade. Não importa se o sono ainda pesa sobre os olhos ou se, lá fora, o dia não amanheceu por completo. Ao som do sino eletrônico, o corpo segue um trajeto quase automático: primeiro o banheiro, depois segue para a cozinha e, por fim, a rua.

O encontro é sempre pontual. Às 6h10, a grande lata amarela passa na rua de cima. Uns minutos a mais de preguiça na cama ou demora no café implicam em espera e bronca no serviço. Como doméstica há mais de sete anos, sua rotina concentra-se no trabalho e nos afazeres da própria casa. E a distância que separa um do outro é grande: “saio às seis horas e chego na casa do meu patrão às 7h15”, comenta a moça, que demonstra cansaço e ansiedade no retorno para o lar. “No começo da semana é tranqüilo, mas lá pela quinta-feira a gente já tá pedindo arrego. A viagem é demorada e cansa bastante”.

Entre a saída, de manhã, do Parque Universitário, bairro próximo ao Jardim Columbia, e a chegada ao centro da cidade, onde trabalha, e depois, pela tarde, quando percorre o caminho inverso, Edivani gasta mais de duas horas de seu dia. Ao longo da semana, são aproximadamente 10 horas vividas nesse trajeto, compartilhado entre semblantes estranhos e amigos.

Na ida, a companhia da irmã e o papo com conhecidos ajudam a driblar o tédio e o desconforto do ônibus lotado. Lá dentro, as conversas se misturam, sem impedir, contudo, o cochilo de alguns, que aparentemente encontram conforto na dureza dos bancos. Na volta, a revista de palavras cruzadas lhe ocupa o tempo, já que o cansaço parece emudecer muitos dos usuários que permanecem entretidos em si mesmos. Entretanto, constantemente, rompe-se o silêncio, com o tom elevado dos estudantes, que ao término das aulas retornam em bandos para casa.

Passados 30 minutos após a saída do Terminal Urbano da cidade, o 305- Via Parque Universitário chega a sua região de destino. Aos poucos, vai desinchando, até restarem murchos: cobrador, motorista e ralos passageiros. “Vou descer no próximo ponto”, suspira Edivani, que enfim, poderá descansar até às 5h20, quando o relógio novamente despertar.


 
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