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O nome dela é Gal |
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| Pedro Fandiño Na Virada Cultural, como você já leu, tinha de tudo: pseudo-engajados que viajaram centenas de quilômetros até São Paulo, bêbados de vinhos porcarias que não estavam dispostos a procurar aqueles banheirinhos encaixotados, uma turma que adorava reclamar da profusão e gente que só estava lá para ver gente – estes últimos, os mais legais. A noite do evento transformou as ruas do centro numa completa desordem. A Amanda (Zacarkim), por exemplo, que deveria estar ansiosa pra conhecer a Ipiranga com a Avenida São João, não deve ter conseguido enxergar, por lá, muitos metros livres da multidão. E no meio disso tudo, estava a nossa Gal – a velha profana. Pontualmente, às nove horas da noite e no palco principal, a mais doce bárbara abriu o show que teve seu começo reclamado por problemas com o eco. Nada de mais. A apresentação continuou bem, com uma Gal Costa engraçadinha que vira e mexe comentava: “a minha virada é o meu novo corte de cabelo”. Do lado dela, só os belos acordes do violão de Luis Meira. Na frente, milhões (milhões!) de pessoas – pseudo-engajados, bêbados, reclamões e gente que só foi lá para ver gente – cantaram e ouviram: “você é minha droga, paixão de carnaval, meu zen... meu bem... meu mal”. A cantora, que logo de entrada lembrou que era baiana, fez questão de deliciar o público com seus antigos sucessos – num evento em que o tamanho da audiência não condiz, necessariamente, com o sucesso da performance, surtiu efeito. A voz da multidão acompanhou a de Gal, que acompanhou a multidão com o espírito da virada – mesmo que a de seus cabelos. Por fim, o bonito show acabou com a baiana cantarolando “alguma coisa acontece no meu coração a poucas quadras daqui”. Ali, no encontro daquelas duas ruas que a Amandinha até agora não conseguiu ver direito.
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Foto:Marcus Desmioni
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