A história dá-se em ciclos. E se reinventa como pode

Educação, desmemória e coletividade. Ou como valorizar nossos patrimônios materiais e imateriais

Ana Carolina Franzon

Pensar em educação num país assolado pela corrupção, como o Brasil, é, no mínimo, desalentador. Quando uma universidade pública cerca o campus e dá fim à liberdade de ir e vir; quando saímos à rua e vemos crianças e adolescentes em situação de mendicância; quando lembramos da aposentadoria de R$13 mil do ex-deputado José Janene, ou ao esperarmos por novas informações sobre a crise de nossa Câmara Municipal; quando sintonizamos os canais de maior audiência da TV aberta no horário nobre. Todos os indivíduos que se envolvem nessa ciranda brasileira estão sob forte estresse emocional. A exceção é alienação. Ou roubo.

Neste universo que esconde até dinheiro nas cuecas e que é um país falido – e não quero denotar soja, ou cana, ou créditos de carbono; mas balas perdidas, fome, analfabetismo, impunidade e, mais uma vez, corrupção – o terceiro setor têm destaque no trato às humanidades. Também em ciclos, uma rede pode se beneficiar quando alguém bem disposto e educado se dedica a formar outro ser humano. E aqui a iniciativa privada pode fazer toda a diferença.

Acredito que sejam meus leitores pessoas capazes de assumir que já sabem que as coisas não vão melhorar enquanto não houver um projeto eficiente de educação para todos. Para exemplo trago apenas um dado recente da educação: enquanto o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) dos brasileiros ficar na casa dos 38 pontos, de 100 possíveis, enquanto essa situação persistir, talvez a melhor saída seja mesmo blindar seu carro, construir um muro de três metros com cerca elétrica em sua casa ou mudar-se para um apartamento. E agradecer à vida pelo fato de poder dormir mais uma noite.

Então, o apelo é para ação. E não precisa ser muito. Para começar, porém, não basta separar o lixo. É preciso conhecer seu lixo. Tem idéia de quantos quilos de resquícios seus chegam ao lixão de sua cidade todos os dias?

Um segundo passo pode ser apoiar quem já está na causa. Pare de consumir. Pode ter certeza: para viver bem, você não precisa de tudo aquilo que tem. No supermercado dá para treinar habilidades em economizar os recursos naturais. Pois é. Aquela história do ‘nada se cria, tudo se transforma' gasta muita energia. Evite o descartável, substitua copos plásticos por copos de vidro e xícaras para o café; use produtos com refil. Reduzir é melhor que reciclar. E se tiver uma área verde em casa, pode até pensar em ter sua própria c omposteira para transformar o lixo orgânico em adubo.

E em terceiro lugar nessa lista de dedicação à educação, sugiro a atuação em algum projeto social. Qualquer um. Eles existem em todo lugar. Fazendo qualquer coisa. Pode ser até doando algum item da cesta básica todo mês. Podem ser outras coisas também. Um belo exemplo seria arrecadar recursos financeiros e humanos para a instalação de uma biblioteca em uma comunidade que vive isolada em local de difícil acesso, sem falar daquelas que nunca tiveram professores que lhes ensinassem a ler. É um projeto de vida, dispendioso certamente – de tempo e paciência, afinal falamos de Brasil. Mas é o único jeito.

Mais que isso, só 20 anos de investimento pesado em políticas públicas de educação eficazes. Será que você ainda tem o cartão com o telefone daquele pedreiro?

 

 
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